Desespero - Subterror

17-03-2025

Lançado em 2011, "Desespero" é um soco no estômago de quem aprecia música extrema com peso, agressividade e mensagem. O primeiro registro da banda brasiliense Subterror não é apenas uma demo, mas uma experiência visceral que condensa toda a brutalidade do crust e do grindcore em pouco mais de 11 minutos. Com quatro faixas, o álbum exala urgência e revolta, refletindo um mundo mergulhado em ruínas e desesperança.

Desde os primeiros segundos de "O silêncio e a morte", fica evidente que Subterror não está aqui para fazer concessões. A guitarra crua e distorcida, os vocais ásperos e guturais de Luan, e a bateria acelerada de Samuel criam uma muralha de som sufocante. Há uma crueza intencional na produção – tudo soa barulhento, sem ser embolado, remetendo a clássicos do D-Beat e do hardcore punk, mas com um peso extra que flerta com o grindcore e o death metal.

A escolha do Studio Madruga como palco dessa gravação e a produção em parceria com Pedro Capaça (Violator) resultaram em uma sonoridade orgânica, sem frescuras. Diferente de muitas produções metalizadas do hardcore moderno, "Desespero" mantém aquela sujeira necessária para que cada faixa pareça um grito direto do submundo.

Não há esperança aqui. As letras do álbum são verdadeiros poemas de desolação e miséria humana. A abertura com "O silêncio e a morte" já estabelece o tom apocalíptico:
"Sonhos afogados em sangue.
A vida envolta em dor.
Nós caímos.
Morremos junto com o tempo."

A banda não deixa espaço para interpretações otimistas – tudo está fadado ao fracasso. "O mundo à sua volta...", a faixa mais curta do disco, é uma explosão de apenas 1 minuto e 47 segundos que ataca a hipocrisia e a cegueira da sociedade moderna. Enquanto isso, "Vestígios" soa quase como uma elegia pós-apocalíptica, refletindo sobre os restos de uma civilização em colapso.

Fechando o álbum, "Dor e Miséria" é praticamente um hino do desespero que dá nome à demo. Em menos de dois minutos e meio, a banda despeja toda sua indignação sobre um mundo que caminha para a autodestruição.

O Subterror não esconde suas influências, mas também não se limita a ser apenas mais uma banda de crust ou grind. Há uma fusão interessante entre o D-Beat de Discharge, o caos do Extreme Noise Terror e o peso cortante do Napalm Death. Mas, diferente de muitas bandas do gênero, que apostam na repetição de fórmulas já conhecidas, o grupo consegue inserir sua própria identidade, com riffs marcantes e uma energia que parece não dar trégua.

Mesmo sendo um registro curto, "Desespero" não soa como uma coleção de músicas genéricas do estilo. O álbum tem uma atmosfera própria, onde cada faixa contribui para a sensação de urgência e inevitabilidade do fim.

"Desespero" é um álbum que, apesar de sua duração curta, carrega um peso gigantesco. A banda não apenas entrega uma sonoridade violenta, mas também cria um cenário de ruína, sofrimento e desencanto. É um disco que se encaixa perfeitamente no espírito do crust punk e do grindcore, mas que, ao mesmo tempo, consegue ser mais do que um simples tributo às bandas clássicas do gênero.

Se você gosta de som agressivo, direto e sem filtro, "Desespero" é uma pedrada certeira. Pode não ser um álbum para todos, mas para quem entende o peso da fúria e do niilismo na música extrema, este registro do Subterror é essencial.

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